Crítica: (Quase) O Amor da Minha Vida
Werther é um jovem escritor que acredita ter encontrado o amor de sua vida, mas descobre que Charlotte já está noiva. Mesmo sabendo que ela está comprometida, ele decide tentar conquistá-la, dando início a uma história de amor, obsessão e escolhas questionáveis.
Uma história baseada em um clássico da literatura

(Quase) O Amor da Minha Vida é uma adaptação contemporânea de Os Sofrimentos do Jovem Werther, romance escrito pelo alemão Johann Wolfgang von Goethe e publicado originalmente em 1774. O livro é considerado um dos grandes clássicos do romantismo e acompanha a paixão intensa de Werther por Charlotte, uma mulher que já está comprometida.
No filme, essa história é transportada para os dias atuais. Douglas Booth interpreta Werther, um jovem escritor impulsivo que conhece Charlotte (Alison Pill) e imediatamente acredita ter encontrado o amor de sua vida. O problema é que ela já está noiva de Albert (Patrick J. Adams).
A partir daí, Werther decide ignorar os conselhos do melhor amigo e tenta conquistar Charlotte, mesmo sabendo que ela está em um relacionamento. O que poderia parecer, pelo trailer, uma típica comédia romântica acaba tomando um caminho muito diferente.
Não era exatamente o que eu esperava
Quando assisti ao trailer, imaginei que encontraria uma comédia romântica mais clichê, com aquele típico triângulo amoroso e situações divertidas. Mas, quando comecei a assistir, fiquei bastante surpresa com o rumo da história.
Confesso que não me agradei muito com o filme. Para mim, ele ficou muito enrolado e parecia estar praticamente no mesmo ponto durante boa parte da história. A sensação foi de que a narrativa demorava bastante para avançar.
Além disso, a maneira como Werther age em relação a Charlotte me deixou bastante desconfortável. Em vários momentos, ele fica seguindo, observando e tentando se aproximar dela mesmo quando ela deixa claro que está na defensiva.
Isso me lembrou bastante a série You, principalmente pela maneira como o protagonista transforma sua paixão em uma obsessão. E, particularmente, não acho esse tipo de comportamento agradável de assistir.
Charlotte é casada e, mesmo assim, Werther continua alimentando uma paixão que não é correspondida da mesma maneira. Para mim, isso ultrapassa aquela ideia de uma paixão romântica e começa a mostrar uma dificuldade em aceitar os limites da outra pessoa.
Personagens e atuações

Douglas Booth é o grande destaque do elenco. Apesar de eu não ter gostado das atitudes de Werther, achei que Booth fez um ótimo trabalho interpretando o personagem.
Ele consegue transmitir muito bem a intensidade, a impulsividade e também a fragilidade de alguém que está completamente envolvido por seus próprios sentimentos. Em alguns momentos, inclusive, fiquei com pena dele, porque é possível perceber o quanto ele sofre com uma paixão que não está sendo correspondida.
Alison Pill, como Charlotte, também funciona muito bem. Gostei principalmente da maneira como ela interpreta uma personagem que tenta estabelecer seus próprios limites e deixar claro que está comprometida.
Já Patrick J. Adams interpreta Albert, o noivo de Charlotte. O personagem acaba entrando em uma situação bastante complicada por causa da obsessão de Werther, e a dinâmica entre os três é um dos elementos centrais da história.
O elenco ainda conta com nomes como Iris Apatow, que interpreta Sissy, além de Jaouhar Ben Ayed e Amrit Kaur.
Uma adaptação diferente
Uma das coisas que mais me deixou curiosa depois de assistir ao filme foi justamente o livro.
Como não conhecia Os Sofrimentos do Jovem Werther antes da produção, fiquei com muita vontade de ler a obra original para entender se essa história é realmente apresentada dessa maneira no livro ou se algumas dessas características foram modificadas para a adaptação cinematográfica.
A proposta de transformar um clássico do século XVIII em uma história contemporânea é interessante, principalmente porque permite discutir como enxergamos amor, paixão e limites nos relacionamentos atualmente.
Veredito
(Quase) O Amor da Minha Vida foi um filme que me surpreendeu, mas não necessariamente de uma maneira positiva. Eu esperava uma comédia romântica clichê pelo trailer e encontrei uma história muito mais estranha e desconfortável sobre paixão, obsessão e amor não correspondido.
Achei o filme bastante enrolado e senti que a história demorou muito para sair do lugar. A atitude de Werther em relação a Charlotte também me incomodou bastante, principalmente por ele continuar insistindo mesmo quando ela deixa claro que não está interessada da mesma maneira.
Apesar disso, gostei bastante da atuação de Douglas Booth e fiquei com vontade de assistir a outros trabalhos do ator. Também achei interessante descobrir que o filme é baseado em um clássico tão importante da literatura.
No fim, não recomendo muito o filme, mas definitivamente fiquei curiosa para ler o livro e descobrir se a história de Werther e Charlotte funciona melhor nas páginas de Goethe.
