Virtuosas
Um grupo de mulheres cristãs é selecionado para participar de um retiro exclusivo comandado pela influenciadora Virgínia, onde a promessa de aperfeiçoamento feminino começa a revelar uma realidade cada vez mais perturbadora.
Uma história que me incomodou muito
Virtuosas acompanha um grupo de mulheres cristãs que ganha a oportunidade de participar de um retiro voltado ao desenvolvimento da feminilidade. O encontro é comandado por Virgínia, interpretada por Bruna Linzmeyer, uma influenciadora que se apresenta como referência para mulheres que desejam se tornar esposas e mães consideradas “virtuosas”.
Conforme o retiro avança, o ambiente inicialmente apresentado como acolhedor começa a revelar comportamentos cada vez mais estranhos e perturbadores. O filme mistura drama, suspense e terror para construir uma história que pretende provocar desconforto e questionar determinados discursos sobre religião, comportamento feminino e relações de poder.
Para mim, porém, essa proposta não funcionou.
Fiquei sem entender o filme
Confesso que, durante boa parte de Virtuosas, eu não entendi o que estava acontecendo. Fui assistir ao filme sem saber exatamente o que encontraria e, por ser uma pessoa que não costuma procurar esse tipo de interpretação mais simbólica, fiquei bastante perdida.
Só depois de terminar e pesquisar sobre a proposta do filme consegui compreender melhor o que a produção estava tentando dizer.
A intenção da diretora Cíntia Domit Bittar é utilizar o terror e a sátira para fazer uma crítica a determinados discursos conservadores e à manipulação da fé. A própria divulgação do filme apresenta a história como uma abordagem do universo das chamadas “tradwives” e de modelos conservadores de feminilidade.
Mas, para mim, essa mensagem acabou sendo apresentada de uma maneira que me incomodou profundamente.
Uma abordagem que feriu meus princípios
Como cristã, não gostei da maneira como a religião e elementos ligados à fé são utilizados dentro da história.
O filme mistura referências cristãs com deboche, violência e terror, e isso foi algo que me incomodou muito durante a experiência. Eu entendo que a intenção artística seja provocar e fazer uma crítica, mas, pessoalmente, senti que a forma escolhida ultrapassou aquilo que consigo apreciar em uma produção cinematográfica.
Também achei que algumas situações podem ser interpretadas de maneira muito diferente dependendo da experiência e da visão de cada espectador sobre religião.
Para mim, a mensagem por trás do filme foi extremamente desagradável e ofendeu princípios que são importantes para mim. Por isso, mesmo depois de entender melhor a proposta, continuei não gostando da maneira como ela foi apresentada.
Virgínia e as outras personagens
Bruna Linzmeyer interpreta Virgínia, a influenciadora responsável pelo retiro. A personagem se apresenta como uma mulher cristã que ensina outras mulheres a seguir determinado modelo de feminilidade, mas, conforme a história avança, sua verdadeira personalidade começa a aparecer.
Na minha interpretação, Virgínia é uma personagem extremamente perturbadora e, em vários momentos, parece quase uma figura demoníaca dentro da história. Ela utiliza a imagem de uma influenciadora cristã para conquistar a confiança das outras mulheres, o que torna algumas situações ainda mais desconfortáveis.
O elenco também conta com Maria Galant, como Germina, Juliana Lourenção, como Lorena, e Sarah Motta, como Bárbara. As personagens representam diferentes mulheres que chegam ao retiro carregando suas próprias expectativas, crenças e vulnerabilidades.
Bruna Linzmeyer é, sem dúvida, uma das principais forças do elenco. Mesmo não tendo gostado da personagem, reconheço que a atriz consegue transmitir a frieza e o desconforto necessários para tornar Virgínia uma presença inquietante.
Muito terror e situações que me desagradaram
Outro problema para mim foi a maneira como o filme mistura terror com deboche.
Existem momentos em que a produção parece querer provocar uma reação de humor, enquanto em outros mergulha em situações violentas e perturbadoras. Essa mistura não funcionou comigo.
Também achei o filme muito nojento em alguns momentos. As mortes e as situações de violência foram elementos que me desagradaram bastante e contribuíram para tornar a experiência ainda mais pesada.
Eu particularmente não gosto desse tipo de terror e, somando isso à forma como a religião é abordada, a experiência acabou sendo muito negativa para mim.
Um filme que dividiu opiniões
É importante dizer que Virtuosas foi pensado justamente para provocar. O filme recebeu leituras bastante diferentes da crítica: enquanto algumas análises destacaram a sátira e a crítica social, outras apontaram problemas no roteiro, no tom e na construção da narrativa.
Por isso, consigo entender que existam pessoas que enxerguem qualidades na proposta. Para mim, entretanto, a experiência foi completamente diferente.
O filme não conseguiu me conquistar pela história e, principalmente, não me senti confortável com a mensagem e com a forma como determinados elementos cristãos foram utilizados.
Veredito
Virtuosas foi, para mim, um dos filmes brasileiros de que menos gostei. Achei a história confusa, pesada e extremamente desagradável em vários momentos. Durante boa parte da sessão, não entendi o que estava acontecendo e só consegui compreender melhor a proposta depois que o filme terminou.
Como cristã, também me incomodou profundamente a maneira como a fé é apresentada e misturada ao deboche, ao terror e à violência. A personagem de Virgínia, uma influenciadora que se apresenta como cristã enquanto esconde intenções perturbadoras, foi especialmente desconfortável para mim.
Não gostei das mortes, achei algumas cenas muito nojentas e não me identifiquei com a proposta do filme.
Por tudo isso, não recomendo Virtuosas. A produção tem uma proposta muito específica de sátira e crítica social, mas acredito que a experiência pode ser bastante desagradável para pessoas que, assim como eu, possuem uma relação de fé que entra diretamente em conflito com a maneira como esses elementos são utilizados na história.
