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Cinema, Ficção Científica, Aventura e Ação Cathy Herbella

Crítica: Ponto Sem Retorno

Em um mundo devastado por uma pandemia que dizimou grande parte da humanidade, um piloto vive isolado com seu cachorro e um ex-militar até que uma misteriosa transmissão de rádio desperta a esperança de que ainda exista vida além daquele lugar.

Um mundo depois do fim

(L-R) Jacob Elordi as Hig and Margaret Qualley as Cima in 20th Century Studios' THE DOG STARS. Photo by Fabio Lovino. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.
(L-R) Jacob Elordi as Hig and Margaret Qualley as Cima in 20th Century Studios' THE DOG STARS. Photo by Fabio Lovino. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.

Ponto Sem Retorno nos leva para um futuro pós-apocalíptico em que poucas pessoas continuam vivas depois de uma pandemia destruir grande parte da humanidade. É nesse cenário que conhecemos Hig (Jacob Elordi), um piloto que perdeu sua esposa e vive isolado em um pequeno aeroporto abandonado ao lado de seu cachorro e de Bangley (Josh Brolin), um ex-fuzileiro naval que se tornou seu parceiro de sobrevivência.

A rotina dos dois muda quando Hig capta uma misteriosa transmissão de rádio. A mensagem desperta nele a esperança de que possa existir algo além daquele mundo devastado e faz com que ele decida se arriscar em uma jornada em busca de outros sobreviventes.

Achei muito interessante a escolha de ambientar a história em um futuro praticamente vazio, onde a sensação de solidão está presente o tempo inteiro. O filme consegue transmitir uma atmosfera tensa e, em vários momentos, bastante tenebrosa. Ao mesmo tempo, gostei de como a história não fica apenas na ação e na sobrevivência: existe também um lado muito humano, envolvendo a necessidade de conexão, esperança e até mesmo um pouco de romance.

Hig e os outros sobreviventes

Jacob Elordi as Hig in 20th Century Studios' THE DOG STARS. Photo by Fabio Lovino. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.
Jacob Elordi as Hig in 20th Century Studios' THE DOG STARS. Photo by Fabio Lovino. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.

Jacob Elordi interpreta Hig, um personagem marcado pelo luto e pela solidão. A história dele é bastante triste, principalmente por tudo o que perdeu depois da pandemia. Mesmo vivendo em um mundo em que sobreviver parece ser a única prioridade, Hig ainda mantém dentro de si uma vontade de encontrar outras pessoas e acreditar que existe algo melhor.

Eu gosto muito do Jacob Elordi, então gostei bastante de vê-lo interpretando esse papel. É interessante acompanhá-lo em um personagem mais introspectivo e emocional, diferente de alguns dos trabalhos pelos quais ele ficou mais conhecido.

Josh Brolin também chama atenção como Bangley, um personagem muito mais duro e desconfiado. A relação entre os dois funciona justamente porque eles são tão diferentes: enquanto Hig ainda procura esperança e conexão, Bangley está muito mais preocupado em sobreviver.

Margaret Qualley interpreta Cima, uma médica que também acaba se tornando importante para a jornada de Hig. Gostei de como a presença dela acrescenta uma dimensão mais emocional à história e ajuda a desenvolver esse lado de conexão humana que existe por trás de todo o cenário pós-apocalíptico.

O elenco ainda conta com nomes como Guy Pearce, Allison Janney e Benedict Wong, formando um grupo de atores bastante conhecido.

E o cachorro?

(L-R) Jasper and Jacob Elordi as Hig in 20th Century Studios' THE DOG STARS. Photo by Fabio Lovino. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.
(L-R) Jasper and Jacob Elordi as Hig in 20th Century Studios' THE DOG STARS. Photo by Fabio Lovino. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.

Preciso falar do cachorro. 🥺

Ele é uma presença muito importante na história e ajuda a mostrar o lado mais humano de Hig. Em um mundo onde praticamente tudo foi destruído, ter aquele animal ao seu lado representa companhia, afeto e uma ligação com a vida que existia antes de tudo aquilo acontecer.

E acontece uma coisa com ele que me deixou muito triste. Para mim, esse é um daqueles momentos que tornam o filme ainda mais emocional, porque não estamos vendo apenas um personagem tentando sobreviver: estamos acompanhando alguém tentando proteger aquilo que ainda ama.

A direção de Ridley Scott

Ridley Scott e Jacob Elordi para o filme "Ponto Sem Retorno"
Ridley Scott e Jacob Elordi para o filme "Ponto Sem Retorno"

Por trás de Ponto Sem Retorno está Ridley Scott, um dos grandes nomes da história do cinema. O diretor é responsável por filmes como Alien, o Oitavo Passageiro, Blade Runner, Thelma & Louise, Gladiador, Falcão Negro em Perigo e Perdido em Marte, entre muitos outros.

E é impossível não perceber a experiência de Scott na construção visual do filme. Ele utiliza enquadramentos amplos e uma fotografia que transforma as paisagens em parte fundamental da narrativa.

Como o próprio Jacob Elordi comenta ao falar sobre o diretor, Scott é, antes de tudo, um narrador visual. A maneira como ele constrói cada enquadramento e utiliza múltiplas câmeras contribui diretamente para o impacto das cenas.

Uma experiência para ser vivida no cinema

Se tem uma coisa que eu recomendo para Ponto Sem Retorno, é assistir no cinema — principalmente em IMAX.

As paisagens são impressionantes. A história se passa na região das Montanhas Rochosas do Colorado, mas as filmagens foram realizadas na Itália, utilizando as Dolomitas para representar as montanhas do Colorado. A produção também passou por locações nas províncias de Udine e L'Aquila, criando cenários enormes e ao mesmo tempo silenciosos e bucólicos.

Essas imagens ficam ainda mais impressionantes na tela grande. As tomadas aéreas e os planos abertos fazem a gente sentir o tamanho daquele mundo e, ao mesmo tempo, o quanto os personagens estão pequenos diante dele.

A experiência sonora também merece destaque. A trilha de Harry Gregson-Williams utiliza cordas para intensificar os momentos emocionais e texturas sonoras mais estranhas e inquietantes nas cenas de maior tensão.

Por isso, acho que Ponto Sem Retorno é um filme que realmente ganha força quando assistido em uma sala de cinema. É uma produção que combina espetáculo visual com uma história íntima sobre solidão, esperança e a importância de encontrar outras pessoas.

Do livro para as telas

O filme é baseado no romance Na Companhia das Estrelas, de Peter Heller, publicado em 2012. A obra também é conhecida pelo título original The Dog Stars e foi elogiada por sua abordagem poética de um mundo pós-apocalíptico. Heller participa ainda da produção do filme como produtor executivo.

Achei interessante saber que existe uma obra literária por trás da história, principalmente porque o filme tem esse lado mais contemplativo. Ele não está preocupado apenas em mostrar o fim do mundo, mas em mostrar o que acontece com as pessoas depois dele.

Veredito

Ponto Sem Retorno é um filme tenso, sombrio e visualmente impressionante. Gostei bastante da proposta de acompanhar um mundo pós-apocalíptico praticamente vazio e, principalmente, de como a história consegue misturar sobrevivência, ação, romance e uma narrativa muito mais humana sobre solidão e conexão.

Também gostei muito de ver Jacob Elordi em um papel diferente e de acompanhar a jornada de Hig, mesmo sendo uma história bastante triste em alguns momentos. E, claro, o cachorro tem um espaço especial na minha experiência com o filme. 🥺

Para mim, é uma produção que merece ser vista nos cinemas, especialmente em IMAX. As paisagens, as tomadas aéreas, o som e a dimensão daquele mundo fazem diferença quando estamos diante de uma tela enorme.

Mais do que uma história sobre o fim da humanidade, Ponto Sem Retorno é uma história sobre o que ainda resta quando tudo parece ter acabado: a esperança, o afeto e a necessidade de encontrar alguém para compartilhar o caminho.

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