Crítica: Kraken: Terror no Mar
Durante a Guerra Fria, o desaparecimento de um submarino russo leva uma nova tripulação a uma perigosa missão de resgate no Mar da Groenlândia. O que eles não esperavam encontrar era uma criatura gigantesca escondida nas profundezas.
Uma missão em meio à Guerra Fria

Kraken: Terror no Mar acompanha o comandante Viktor Voronin (Aleksandr Petrov), que recebe a missão de localizar um submarino russo desaparecido durante uma operação secreta no Mar da Groenlândia. O caso ganha um peso ainda maior para Viktor porque seu irmão, Aleksandr Voronin (Viktor Dobronravov), era o comandante da embarcação desaparecida.
A missão já seria complicada por si só, mas a situação se torna ainda mais perigosa quando a tripulação percebe que existe algo nas profundezas responsável pelos acontecimentos. Uma estação polar é destruída e um enorme Kraken desperta, transformando uma operação militar em uma luta pela sobrevivência.
Achei interessante a combinação entre Guerra Fria, submarinos, resgate e uma criatura mitológica. É uma premissa que realmente chama atenção e cria expectativa sobre o que pode acontecer.
Russos, estrangeiros e o submarino

Um dos pontos que mais gostei foi acompanhar a tensão dentro do submarino. Os russos precisam lidar não apenas com o desaparecimento da primeira embarcação, mas também com a responsabilidade de descobrir o que aconteceu e tentar resgatar os sobreviventes.
A presença de pesquisadores estrangeiros também acrescenta uma camada interessante à história, principalmente porque existe uma desconfiança natural em uma missão militar ocorrendo durante a Guerra Fria. Dzhuliya Braun, interpretada por Diana Pozharskaya, é uma pesquisadora que acaba envolvida diretamente na situação e se torna importante para que os personagens compreendam que estão diante de algo muito maior do que um simples acidente.
A todo momento existe a dúvida sobre o que vai acontecer com aquela tripulação. Será que eles vão conseguir encontrar o outro submarino? Será que conseguirão resgatar todos os sobreviventes? E, principalmente, será que conseguirão sair daquele lugar vivos?
Essas perguntas foram o que mais me prenderam durante o filme.
Uma atmosfera de tensão

A atmosfera é, sem dúvida, um dos pontos mais interessantes de Kraken: Terror no Mar.
O submarino funciona muito bem como cenário porque cria uma sensação constante de confinamento. Os personagens estão cercados por água, em uma região extremamente perigosa, sem saber exatamente o que existe do lado de fora.
E quando o Kraken aparece, essa sensação aumenta ainda mais. O filme trabalha bastante com a ideia de não saber onde a criatura está ou quando ela irá atacar. Em alguns momentos, o simples fato de ouvir ou perceber alguma coisa do lado de fora já é suficiente para criar tensão.
Gostei especialmente dos momentos em que a tripulação precisa tomar decisões rapidamente enquanto tenta descobrir se ainda existe alguma possibilidade de salvar as pessoas que estão presas na outra embarcação.
O Kraken poderia ter sido mais explorado

Apesar de a premissa ser muito boa, senti que o filme poderia ter aprofundado muito mais o próprio Kraken.
A criatura é justamente o elemento que dá nome ao filme e, por isso, eu esperava que ela tivesse uma presença maior na história. O longa prefere manter boa parte do monstro escondida, o que funciona para criar mistério, mas em alguns momentos tive a sensação de que queria ver mais sobre ele: de onde veio, como surgiu, por que estava naquela região e até mesmo entender melhor suas características.
O Kraken funciona melhor como uma ameaça do que como personagem ou elemento central da mitologia. E isso foi um pouco frustrante para mim, porque existe muito potencial nessa ideia.
Um filme longo demais
Outro ponto que me incomodou foi a duração.
Com 2 horas e 14 minutos, Kraken: Terror no Mar é um filme bastante longo, e senti que algumas partes poderiam ter sido encurtadas. Em determinados momentos, a história fica um pouco enrolada e parece demorar para chegar aos acontecimentos que realmente queremos acompanhar.
A premissa é interessante e os momentos de tensão funcionam, mas acredito que uma duração menor deixaria a experiência muito mais dinâmica.
Em alguns momentos, eu queria que o filme avançasse logo para descobrir se os personagens conseguiriam completar o resgate e escapar daquela situação, mas a narrativa acabava dando algumas voltas antes de chegar ao próximo acontecimento.
Personagens e atuações

Aleksandr Petrov interpreta Viktor Voronin e é o principal destaque do elenco. O personagem carrega o peso de comandar uma missão extremamente perigosa enquanto procura o próprio irmão, o que acrescenta uma dimensão pessoal à história.
Petrov consegue transmitir bem a pressão de Viktor, principalmente nos momentos em que ele precisa tomar decisões difíceis envolvendo a própria tripulação.
Viktor Dobronravov, como Aleksandr, também tem um papel importante por representar justamente aquilo que Viktor está tentando encontrar durante toda a missão: seu irmão desaparecido.
Já Diana Pozharskaya interpreta Dzhuliya Braun, uma pesquisadora envolvida com os acontecimentos que antecedem o despertar do Kraken. O elenco ainda conta com nomes conhecidos do cinema russo, como Aleksey Guskov e Sergey Garmash.
É interessante também conhecer um pouco sobre a origem do elenco: trata-se de uma produção russa, com atores majoritariamente russos e áudio original em russo. Aleksandr Petrov, Viktor Dobronravov, Aleksey Guskov, Diana Pozharskaya e Sergey Garmash estão entre os principais nomes da produção.
Como o filme foi gravado
A produção também chama atenção pelo esforço para criar um ambiente submarino convincente. Parte das filmagens aconteceu em locais reais ligados à Frota do Norte da Rússia, incluindo bases militares em Severomorsk e Zaozersk, na região de Murmansk. A equipe teve acesso inclusive ao submarino Kazan, onde parte das cenas foi filmada.
As filmagens também passaram por Tula e Moscou, enquanto as locações da região de Murmansk ajudaram a criar o ambiente gelado e extremo necessário para a história.
Isso ajuda bastante na atmosfera do longa. A sensação de estar em um ambiente militar real e cercado pelo gelo contribui para que a missão pareça ainda mais perigosa.
Onde assistir?
No Brasil, Kraken: Terror no Mar está disponível no Adrenalina Pura+, serviço voltado principalmente para filmes de ação, suspense e aventura. O filme também aparece em plataformas digitais como Apple TV e Claro tv+, dependendo da modalidade e disponibilidade.
Veredito
Kraken: Terror no Mar tem uma premissa muito interessante ao misturar Guerra Fria, submarinos, uma missão de resgate e uma criatura gigantesca escondida nas profundezas. Gostei bastante dos momentos de tensão e daquela sensação constante de não saber se os personagens conseguiriam resgatar todos os sobreviventes do outro submarino.
A atmosfera também funciona muito bem, principalmente por causa do ambiente claustrofóbico do submarino e da ameaça que pode surgir a qualquer momento.
Por outro lado, achei o filme muito longo e um pouco enrolado. Algumas partes poderiam ter sido mais rápidas, e senti que a história poderia ter aproveitado muito melhor o próprio Kraken. Fiquei querendo saber mais sobre a criatura e sua origem, principalmente porque ela é justamente o grande elemento que diferencia o filme de outros suspenses militares.
Ainda assim, Kraken: Terror no Mar consegue entregar momentos de tensão e uma aventura diferente, principalmente para quem gosta de filmes de monstros, ficção científica e histórias ambientadas em submarinos.