Coyote vs. Acme: crítica — uma divertida batalha contra a Acme que surpreende e emociona
Assistimos a Coyote vs. Acme em uma cabine de imprensa e contamos por que o filme é uma divertida aventura para todas as idades, misturando humor, nostalgia, Looney Tunes e uma surpreendente dose de tensão.

Coyote vs. Acme: crítica — uma divertida batalha contra a Acme que surpreende e emociona
Crítica sem spoilers
Existem personagens que parecem ter nascido para nunca vencer. Esse é exatamente o caso de Wile E. Coyote, o eterno azarado dos Looney Tunes que passou décadas tentando capturar o Papa-Léguas e sendo vítima das próprias invenções. Em Coyote vs. Acme, porém, o personagem finalmente decide que já sofreu o suficiente e resolve levar a responsável por boa parte de seus problemas à Justiça: a própria Acme.
E foi justamente essa premissa completamente absurda que me conquistou.
Tive a oportunidade de assistir ao filme hoje, em uma cabine de imprensa, e saí da sessão muito mais satisfeita do que esperava. Coyote vs. Acme consegue unir comédia, aventura, nostalgia e até momentos de tensão em uma história que não parece feita exclusivamente para crianças.
Afinal, quem é o Coiote?
Para entender a graça do filme, precisamos voltar aos desenhos.
Wile E. Coyote é conhecido por sua obsessão pelo Papa-Léguas. Em suas inúmeras tentativas de capturá-lo, ele recorre aos produtos da Acme, uma empresa fictícia que, dentro do universo dos Looney Tunes, fabrica praticamente qualquer invenção maluca que um personagem possa imaginar.
O problema é que os produtos quase nunca funcionam como deveriam.
Foguetes, armadilhas, ímãs, explosivos e todo tipo de equipamento acabam levando o Coiote a mais uma queda, explosão ou desastre. E é justamente essa sequência interminável de fracassos que transformou o personagem em um dos grandes símbolos do humor físico dos Looney Tunes.
Mas Coyote vs. Acme faz uma pergunta muito interessante: e se, depois de tantos anos, o Coiote finalmente decidisse que a culpa não era dele?
Quando o Coiote vai para o tribunal
A história começa quando Wile E. Coyote decide processar a Acme pelos produtos que deram errado durante suas tentativas de capturar o Papa-Léguas.
Para enfrentar uma das maiores empresas daquele universo, ele conta com Kevin Avery, interpretado por Will Forte, um advogado que está longe de estar no melhor momento de sua carreira.
Ao lado de Paige Avery, interpretada por Lana Condor, Kevin acaba entrando em uma batalha jurídica muito maior do que imaginava.
Do outro lado está Buddy Crane, vivido por John Cena, um advogado extremamente confiante que representa a Acme.
O elenco funciona muito bem justamente porque os atores humanos conseguem levar a situação absurda a sério. Will Forte traz bastante carisma para Kevin, enquanto John Cena aproveita o lado exagerado de Buddy para criar um adversário divertido e, ao mesmo tempo, intimidador.
A presença de Lana Condor também ajuda a equilibrar a história e dá mais humanidade à jornada de Kevin.
O filme ainda conta com Tone Bell, P.J. Byrne, Martha Kelly e Luis Guzmán, além de diversos personagens clássicos dos Looney Tunes em suas versões animadas.
Looney Tunes para todas as idades
Uma das coisas que mais gostei em Coyote vs. Acme é que ele não trata os Looney Tunes simplesmente como personagens infantis.
Claro que existe o humor físico que já conhecemos: personagens caindo, explosões, invenções absurdas e situações completamente fora da realidade.
E, sim, a sessão rendeu muitas risadas.
Mas existe também uma camada de humor que conversa diretamente com o público adulto. A batalha judicial contra uma grande corporação permite que o filme brinque com temas como responsabilidade, poder corporativo e a sensação de estar enfrentando um adversário muito maior do que você.
Essa mistura faz com que crianças possam se divertir com as situações visuais enquanto adultos encontram outras piadas e referências na história.
Quando uma comédia consegue criar tensão
Talvez uma das maiores surpresas para mim tenha sido perceber que Coyote vs. Acme consegue criar tensão.
Em vários momentos do processo, eu realmente estava torcendo para que o Coiote e Kevin conseguissem provar o que aconteceu.
Quando as coisas começam a dar errado no tribunal, a sensação deixa de ser apenas “vamos ver qual será a próxima trapalhada do Coiote” e passa a ser “eles precisam conseguir vencer essa batalha”.
E isso funciona porque o filme faz você criar carinho pelos personagens.
Depois de décadas vendo o Coiote fracassar, é quase impossível não torcer para que, dessa vez, ele finalmente tenha uma vitória.
O humor continua sendo o coração
Mesmo com toda essa parte jurídica, Coyote vs. Acme nunca esquece o que torna os Looney Tunes tão divertidos.
O Coiote continua sendo o Coiote.
Ele continua insistindo, criando planos e se metendo em situações absurdas.
A diferença é que agora existe uma história maior envolvendo tudo isso.
E esse equilíbrio foi um dos pontos que mais gostei no filme. A produção consegue homenagear o espírito dos desenhos sem simplesmente transformar o longa em uma coleção de referências.
Vale a pena assistir a Coyote vs. Acme?
Depois de sair da cabine de imprensa, minha resposta é: sim!
Coyote vs. Acme é uma aventura divertida, cheia de nostalgia e com um coração maior do que eu esperava encontrar.
O filme funciona especialmente bem para quem cresceu assistindo aos Looney Tunes, mas também pode conquistar quem não tem tanta familiaridade com os personagens.
Além das muitas risadas que provocou durante a sessão, o longa consegue criar momentos de emoção e tensão que fazem a gente realmente torcer pelo Coiote.
E talvez essa seja a melhor parte da história: depois de uma vida inteira perdendo, finalmente temos a oportunidade de torcer para que Wile E. Coyote consiga vencer.
Veredito
Nota: ⭐ 4,5/5
Coyote vs. Acme é uma comédia que entende seus personagens, respeita o espírito dos Looney Tunes e consegue transformar uma premissa absurda em uma aventura surpreendentemente envolvente.
É engraçado, nostálgico, emocionante e, principalmente, divertido.
Para mim, foi uma das boas surpresas da sessão de hoje — e eu definitivamente saí do cinema querendo assistir novamente a alguns episódios clássicos do Coiote e do Papa-Léguas. 🐺💨
